Precisamos falar sobre Clássicos – Taxi Driver

Taxi Driver

Amigos, o mês de Junho está quase no fim, entretanto, ainda dá tempo de mais uma publicação referente à Precisamos falar sobre Clássicos. Em relação ao filme de hoje, gostaria de enfatizá-los que os Clássicos não precisam ser necessariamente filmes muito antigos. Um clássico se torna clássico justamente pela inovação, a mensagem que pode apresentar, a revolução desde um roteiro diferenciado ou artifícios especiais. Um clássico se torna clássico porque te marca, te envolve e faz toda a diferença. Pois bem, vamos falar de um taxista insano lá nos anos 70 (mas antes um pouquinho do famoso ”nariz de cera”).

Quando eu era mais jovem e comecei a assistir filmes mais antigos, das décadas de 60 e 70, sempre ficava imaginando como era o cotidiano das pessoas naquela época. Ingênua, pensava que antigamente a vida era melhor, que não existia tantos conflitos, violência e tabus. O meu primeiro ”susto” veio quando assisti à Bonequinha de Luxo (que em breve vou comentar aqui) pela primeira vez. Mesmo uma história, um tanto quanto simples, me deixou pensativa e, por fim, conclusiva: passam-se os anos, e os mesmos problemas continuam.

Na ocasião, pensei em escrever sobre Taxi Driver justamente por isso. Um clássico de 1976 que mostra, claramente, problemas e conflitos existenciais presentes ainda nos dias de hoje. A trama, dirigida pelo mestre Scorsese e com atuação brilhante de Robert De Niro (lindo e jovem) no papel principal, mostra a vida de Travis Bickle, um rapaz de 26 anos, solitário, frustrado e alienado, que sofre de insônia e de uma falta de objetivo para sua vida. Os problemas para dormir o levam a trabalhar como taxista em Nova Iorque, no turno da madrugada. Enojado com o que vê pela noite em periferias da sua cidade, desde estupros e prostituição, ele dá espaço às ações heroicas, mas para muitos, ele não passa de um monstro assassino.

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Apesar de toda essa realidade atual que o filme nos mostra, ele é considerado um clássico por muitas das cenas que são célebres pelo seu significado. Coisas simples que dão um toque cinematográfico especial, para entrarmos no mundo do personagem. É também considerado um dos melhores filmes norte-americano já produzidos, e se tornou pioneiro para deslanchar a carreira de Scorsese, De Niro e também, ainda não citada, Jodie Foster. Na época tinha apenas 12 anos e interpretava uma prostituta nova-iorquina. Ela não podia fazer cenas muito fortes por causa de sua idade, e sua irmã, Connie Foster, que tinha 19 anos na época, foi sua dublê de corpo.

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Também houve uma entrega absoluta de De Niro para protagonizar o personagem. Ele trabalhou durante 12 horas como motorista de táxi ao longo de um mês, como preparação para o papel de Travis, além de ter estudado sobre doenças mentais. O longa também é bastante aclamado pelas suas inúmeras cenas de improvisação. Dentre os muitos diálogos, principalmente no táxi, serem improvisados, a cena do “You Talking to me?” (uma das mais famosas da história do cinema) foi obra do acaso. A câmera estava ligada, numa interrupção devido ao barulho exterior, enquanto De Niro ensaiava e “inventou” esse discurso:

Outra curiosidade interessante é que o moicano característico que Travis adquire na metade do filme foi estrategicamente pensado. O roteirista Paul Schrader entrevistou vários veteranos da Guerra do Vietnã, e descobriu que o corte de cabelo era um sinal de quem fora enviado para missões perigosas.

Nomeado a quatro categorias do Oscar, incluindo Melhor Filme, o longa ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1976. E por mais que ele mostre uma história do cotidiano urbano e de conflitos existenciais, um clássico se torna clássico independente da ocasião. E Táxi Driver é um dos muitos que merecem ser visto e revisto várias vezes ainda hoje. E pra você, o que faz um filme se tornar clássico?

Para quem se interessou e ainda não assistiu, segue abaixo o trailer. Um beijo e até o próximo Precisamos falar sobre Clássicos!

 

Thais Muniz Author

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