Precisamos falar sobre Clássicos – O Poderoso Chefão

Amigos do A Hora do Filme, lembram daqueles textos relacionados a filmes clássicos suuuper legais, e que todo bom cinéfilo gosta?! Pois é, o Precisamos falar sobre Clássicos está de volta! Hoje, trago para vocês aquele filme que eu tenho certeza que todo mundo assistiu ou ao menos já ouviu falar: O Poderoso Chefão (Parte I, 1972).

”I’m going to make him an offer he can’t refuse”

Don Vito Corleone (Marlon Brando) é o chefe de uma “família” de Nova York que está feliz, pois Connie (Talia Shire), sua filha, se casou com Carlo (Gianni Russo). Porém, durante a festa, Bonasera (Salvatore Corsitto) é visto no escritório de Don Corleone pedindo “justiça”, vingança na verdade contra membros de uma quadrilha, que espancaram barbaramente sua filha por ela ter se recusado a fazer sexo para preservar a honra. Vito discute, mas os argumentos de Bonasera o sensibilizam e ele promete que os homens, que maltrataram a filha de Bonasera não serão mortos, pois ela também não foi, mas serão severamente castigados. Vito porém deixa claro que ele pode chamar Bonasera algum dia para devolver o “favor”. Do lado de fora, no meio da festa, está o terceiro filho de Vito, Michael (Al Pacino), um capitão da marinha muito decorado que há pouco voltou da 2ª Guerra Mundial. Universitário educado, sensível e perceptivo, ele quase não é notado pela maioria dos presentes, com exceção de uma namorada da faculdade, Kay Adams (Diane Keaton), que não tem descendência italiana mas que ele ama. Em contrapartida há alguém que é bem notado, Johnny Fontane (Al Martino), um cantor de baladas românticas que provoca gritos entre as jovens que beiram a histeria. Don Corleone já o tinha ajudado, quando Johnny ainda estava em começo de carreira e estava preso por um contrato com o líder de uma grande banda, mas a carreira de Johnny deslanchou e ele queria fazer uma carreira solo. Por ser seu padrinho Vito foi procurar o líder da banda e ofereceu 10 mil dólares para deixar Johnny sair, mas teve o pedido recusado. Assim, no dia seguinte Vito voltou acompanhado por Luca Brasi (Lenny Montana), um capanga, e após uma hora ele assinou a liberação por apenas mil dólares, mas havia um detalhe: nas “negociações” Luca colocou uma arma na cabeça do líder da banda. Agora, no meio da alegria da festa, Johnny quer falar algo sério com Vito, pois precisa conseguir o principal papel em um filme para levantar sua carreira, mas o chefe do estúdio, Jack Woltz (John Marley), nem pensa em contratá-lo. Nervoso, Johnny começa a chorar e Vito, irritado, o esbofeteia, mas promete que ele conseguirá o almejado papel. Enquanto a festa continua acontecendo, Don Corleone comunica a Tom Hagen (Robert Duvall), seu filho adotivo que atua como conselheiro, que Carlo terá um emprego mas nada muito importante, e que os “negócios” não devem ser discutidos na sua frente. Os verdadeiros problemas começam para Vito quando Sollozzo (Al Lettieri), um gângster que tem apoio de uma família rival, encabeçada por Phillip Tattaglia (Victor Rendina) e seu filho Bruno (Tony Giorgio). Sollozzo, em uma reunião com Vito, Sonny e outros, conta para a família que ele pretende estabelecer um grande esquema de vendas de narcóticos em Nova York, mas exige permissão e proteção política de Vito para agir. Don Corleone odeia esta idéia, pois está satisfeito em operar com jogo, mulheres e proteção, mas isto será apenas a ponta do iceberg de uma mortal luta entre as “famílias”.

Diante desta gigantesca sinopse, não pode-se esperar menos de um filme como esse. O Poderoso Chefão (Título Original: The Godfather) é um dos maiores clássicos americanos já feitos. Em março de 2017, ele completou 45 anos desde sua estreia nos cinemas. Dirigido por nada menos do que Francis Ford Coppola, o longa possui um marco essencial para toda a história do cinema em todo o mundo, e venceu inúmeros prêmios do Bafta, Globo de Ouro e do Oscar como Melhor Filme, Melhor AtorMelhor Roteiro Adaptado dentre outros.

Apesar dos muitos prêmios conquistados, o filme se tornou um clássico porque marcou uma época e reergueu a indústria de Hollywood, que passava por uma crise financeira enorme e estava ameaçada por uma nova geração de cineastas que simplesmente resolveu desafiar as produtoras e fazer seus próprios filmes, com baixo custo, autorais e que faturavam bem mais do que havia sido investido. O que foi um grande marco também, na carreira de Coppola, já que, ele teve a grande tarefa de produzir um filme baseado em um livro que já era best-seller na década de 70.

Com atores de peso como Marlon Brando, Al Pacino e até então a desconhecida Diane Keaton, o longa é rico em detalhes e muito bem elaborado, à frente do seu tempo. Com alguns planos minuciosamente pensados, longos e cheios de significados, as luzes contribuem para um clima sempre quente e gostoso de se ver – mesmo com cenários bastante urbanos e sem muita beleza. O diretor de fotografia Gordon Willis foi extremamente competente ao enquadrar um ambiente violento, que poderia soar gratuito, da forma delicada como Coppola queria. E sem esquecer de sua trilha sonora magistral, produzido por Nino Rota, um italiano que se encaixou perfeitamente para a função, já que, o filme possui diversas cenas na Itália.

Uma produção dessa magnitude, que não tinha a crença total de sucesso por parte do estúdio, só podia terminar em um orçamento estourado. Os produtores queriam até mesmo transpor todo o filme para os anos 70, tentando baratear a obra. Ter Marlon Brando no elenco parecia até piada de mal gosto aos seus ouvidos. Porém, Coppola não só conseguiu tudo o que desejava, como também teve o dedo em milhares de mínimos detalhes que engrandeceram ainda mais sua obra. E por sorte (ou não), Brando teve uma das melhores performances de todos os tempos que marcou gerações de atores, pela construção ousada da voz e dos gestos. Uma aula de interpretação e que caiu no gosto de todos, inclusive na de Coppola, tudo estava indo bem. Tão bem que, até nos dias atuais, O Poderoso Chefão é uma verdadeira obra prima para os amantes de cinema no mundo.

Para quem ainda não teve a oportunidade de assistir, garanto que essa obra vai te deixar perplexo. Um filme realista e chocante que retrata como a máfia agia nos anos 40. Com um show de interpretação, músicas inesquecíveis e frases marcantes.

”Um homem que não se dedica a familia nunca será um homem de verdade.”
                                                                                           Don Vito Corleone

 

Confira o trailer abaixo, um abraço e até o próximo Precisamos falar sobre Clássicos.

Thais Muniz Author

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