Precisamos falar sobre Clássicos – Cidadão Kane

Cinéfilos e amigos do A Hora do Filme, eis aqui como prometido, mais um texto referente à Precisamos falar sobre Clássicos. Hoje, trago para vocês, uma das obras mais importantes e polêmicas da história do Cinema mundial. Também considerado por muitos, a maior inspiração para produções de filmes noir até hoje. Mas me conta aí, o que vocês sabem sobre Cidadão Kane?

Título Original Citizen Kane É um filme americano de 1941, o primeiro dirigido, escrito, produzido e estrelado por Orson Welles, na época ainda jovem, com apenas 25 anos de idade. Considerado uma das maiores obras-primas da história do cinema, e muito elogiado por sua inovação na música, fotografia e estrutura narrativa.

O filme é supostamente baseado na vida do magnata das comunicações William Randolph Hearst. Na trama conhecemos a história de Charles Foster Kane a partir de sua morte. Um jornalista recebe a tarefa de investigar qual era afinal o significado de sua última palavra, “Rosebud”. Após dias de sensacionalismo em cima da notícia de sua morte, esse jornalista, Jerry Thompson (William Alland) recebe o encargo de investigar a vida de Kane, a fim de descobrir o significado dessa última palavra dita antes de morrer. Entrevistando pessoas ligadas a ele, o jornalista mergulha na vida de um homem solitário, que desde a infância é obrigado a seguir a vontade alheia. Ninguém a seu redor importa-se com Kane, que busca por meio da aquisição de bens à adoração das pessoas.

Já começo dizendo que não é um filme fácil de assistir. Possui uma complexidade extrema, principalmente, para entender a sua importância. Claro que se visto hoje, ele não tem o mesmo impacto da época de sua primeira exibição, mas ainda é uma obra chocante. Mas se analisarmos bem, esse tipo de filme sempre são os mais aclamados pela crítica especializada, não é verdade?!

O que o torna uma verdadeira obra da sétima arte, é a época em que foi lançado e a ousadia que ele trouxe. Se hoje em dia qualquer assunto supérfluo gera polêmica, imagine nos anos 40, uma época tradicionalista e cheia de regras de conduta. O longa retrata várias formas de manipulação dos meios de comunicação de massa, e como a atração pelo poder pode acarretar consequências catastróficas. Diante desses absurdos, os espectadores saíam da sala de cinema revoltados, insatisfeitos. Sem contar que o diretor teve muito trabalho para concluir o longa, porque seus amigos queriam destruí-lo antes da exibição.

Além disso, Cidadão Kane é considerado um clássico por conta de seus renovados métodos narrativos, pelo subversivo enquadramento da câmera e pela cenografia inovadora, que revela originalmente o teto dos ambientes reconstituídos para o filme. Ele começa com o protagonista já morto, mudando a cronologia dos fatos. A cenografia mostra pela primeira vez o teto dos ambientes. Faz uso de flashbacks, sombras, tem longas sequências sem cortes, mostra tomadas de baixo para cima, e distorce imagens para aumentar a carga dramática.

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Ele foi amplamente premiado, conquistando o Oscar de Melhor Roteiro e o prêmio de Melhor Filme da Associação de Críticos de Nova York. O diretor Orson Welles jamais conseguiu obter o mesmo sucesso com outras produções, nem mesmo contratos com estúdios consagrados de Hollywood.

Apesar de tudo, Cidadão Kane não conseguiu recuperar os seus custos nas bilheterias. O filme foi esquecido logo depois, mas sua reputação melhorou devido à todos os estudos que o envolvem e, acima de tudo, depois de sua reestreia americana em 1956.

Outro fato interessante, foi uma produção inspirada no filme. Muito Além do Cidadão Kane, (Beyond Citizen Kane), documentário televisivo britânico, produzido pelo Channel 4 em 1993, que detalha a posição dominante da Rede Globo na sociedade brasileira, debatendo a influência do grupo, seu poder e suas relações políticas. E compara o ex-presidente e fundador da emissora Roberto Marinho à Charles Foster Kane. Logo após seu lançamento, o documentário foi proibido pelo canal.

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Confesso a vocês que assisti o filme apenas uma vez, ainda jovem, influenciada por um cinéfilo chato e mais velho do que eu. Hoje eu já consigo entender melhor a sua importância. E sempre fico perplexa com as mentes brilhantes que se envolveram em prol desta produção. Uma obra que, mesmo ”ultrapassada”, se torna superior a muitos outros filmes atuais cheios de trilhas sonoras maravilhosas e efeitos especiais esplêndidos. Porém, se não fosse por filmes como esse, a indústria cinematográfica não estaria tão evoluída e magnífica nos dias de hoje.

E vocês, caros leitores, quais filmes vocês consideram Clássicos? Conte-nos e, no mês que vem, poderemos falar sobre eles!

Para quem se interessar, segue abaixo o trailer:

Thais Muniz Author

Comments

    Dhuanny

    (May 25, 2016 - 8:27 pm)

    Um filme que eu adoro e considero clássico é o Show de Truman

    Adilson Ribeiro

    (May 30, 2016 - 10:13 am)

    Olá Dhuanny,

    O Show de Truman realmente é muito bom. Em breve vamos preparar um post sobre ele, então fique de olho!

    Atenciosamente
    Equipe A Hora do Filme

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