Especial Oscar | O Regresso

O diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñárritu é como o Corinthians – quem gosta ama, e quem não gosta odeia. O seu último trabalho, O Regresso (The Revenant, 2015, EUA, drama, 156 min) foi indicado ao Oscar deste ano em várias categorias, inclusive de ”Melhor Filme”, e, segue a mesma linha de seus longas anteriores. É preciso muita dedicação e paciência para digerir 2 horas e 36 minutos de filme. Sem muitos diálogos, enredo um pouco confuso, e escassas (porém ótimas) cenas de ação. Entretanto, um filme que – assim como Birdman – tem grandes chances de levar a estatueta para casa. Vamos aos fatos e pequenos Spoilers:

Sinopse:

Em 1823, durante uma expedição no território pouco conhecido do Velho Oeste, o explorador e comerciante de peles Hugh Glass (Leonardo DiCaprio) é atacado por um urso e deixado para morrer pelos seus companheiros. Glass sobrevive e parte para dentro do território selvagem durante o inverno à procura de vingança contra aqueles que o deixaram à beira da morte.

Primeiramente, O Regresso, é baseado em uma história verídica e que já teve várias adaptações. Para deixar a trama mais emocionante, o diretor mostra evidências corretas sobre a verdadeira história do personagem principal, Hugh Glass. Ele realmente era um explorador, caçador e conhecedor de muitos métodos de sobrevivência na mata. Porém, não há como confirmar que ele tenha vivido entre índios e, tampouco, ter sido casado com uma índia. Portanto, a história do seu filho nativo é pura ficção. O que torna o filme mais interessante, já que, Glass busca vingança não apenas por ter sido enterrado vivo, mas também, para vingar a morte de seu filho.

Logo no início, presenciamos a cena mais bem feita e provavelmente a mais importante do longa: o ataque do urso! Iñárritu soube mostrar com genialidade a cena em que Glass tenta sobreviver ao ataque do animal feroz. O telespectador quase não percebe que aquele urso é mera computação gráfica, o que deixou a cena mais real do que nunca. Ela também gera uma agonia que se mistura com um medo e uma coragem muito real. Além disso, essa cena ajudou o personagem a ter um misto de vingança e instintos de sobrevivência.

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Outro fato importante, foi mais uma genialidade do diretor: o uso de luzes naturais durante toda a filmagem, sem qualquer artifício de iluminação. O que também pode trazer grandes chances para o diretor de fotografia, Emmanuel Lubezki, levar o seu terceiro Oscar consecutivo na categoria. Iñárritu também soube mostrar muito bem a tensão nas (poucas) cenas de ação. A câmera tem um foco real e perfeito.

Por fim, mas não desmerecido, a atuação de Leonardo DiCaprio é o ponto máximo do filme. Aposto todas as minhas fichas que ele, finalmente, vai levar a tão sonhada estatueta para casa este ano. O ator mergulhou de cabeça e se entregou totalmente ao personagem, se submetendo a sacrifícios não somente profissionais, mas também pessoais.

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Apesar de todas essas fantásticas inovações técnicas, os não admiradores do diretor, provavelmente vão considerar o filme cansativo e monótono, com poucos diálogos e um enredo um tanto quanto demorado. Para os mais ansiosos, possivelmente não aguentarão mais de 30 minutos de filme, já pularão para o final. Com outros fortes concorrentes na disputa do Oscar, não acredito que vença na categoria ”Melhor Filme”. Mas aposto a vitória nas categorias de ”Melhor Ator”, ”Melhor Fotografia”, ”Melhor Diretor”, ”Melhor Ator Coadjuvante” e ”Melhor Montagem”. Façam suas apostas!

Thais Muniz Author

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