Crítica I Jogos Vorazes: A Esperança – O Final

Depois de alguns anos, conquistando milhares de fãs e arrasando bilheterias, Jogos Vorazes finalmente chegou ao fim. Mas será que Jennifer Lawrence, ou melhor, Katniss, nossa “garota em chamas” conseguiu o fim épico tão aguardado? Será que o Tordo, símbolo da revolução, conseguiu fugir do comum e do clichê das grandes franquias atuais?

Bem, inicialmente vamos abordar dois pontos. Primeiro, eu  (infelizmente) não li nenhum dos livros da trilogia de Jogos Vorazes, portanto não sei dizer o quão fidedigno à obra de Suzanne Collins o longa é. Geralmente esse é um ponto de grande reclamação entre os fãs. Diante disso, não sei se os destinos de Katniss, Peeta e Gale, realmente são como foram apresentados no filme.

Outro ponto é que, eu geralmente NÃO concordo com o fato de dividir o longa final de uma franquia em dois, como geralmente tem sido (o grande clichê das franquias atuais), afim de lucrar mais. Com Jogos Vorazes, minha opinião foi um tanto diferente. Dividir “A Esperança” em duas partes, transformou a parte 1 em um filme espada (longo e chato), mas o ver “A Esperança – O Final”, percebi que a divisão veio a calhar, pois a sucessão de eventos em ambos os filmes (mesmo que toda a ação tenha ficado apenas com o último filme) conseguiu, ao meu ver, ser explorada de um modo muito satisfatório, justificando assim a divisão.

Preciso abrir um parenteses aqui, falar um pouco sobre nossa “garota em chamas”. Katniss, é bem diferente do conceito de uma heroína. Ao meu ver ela é muito mais a personificação do conceito da mulher moderna, do que uma heroína. Sexo Frágil? Reveja seus conceitos se você ainda pensa assim. Katniss, é o exemplo (mesmo fictício)  de que uma mulher é determinada e focada, e que  medir esforços não é uma opção para se alcançar um objetivo, e alto lá, nem sempre esse objetivo vai ser romântico, ele pode naturalmente ser outro, como por exemplo ser o CEO de uma multinacional. Ela é aquele tipo de mulher, independente, pró-ativa, ela não precisa de um homem para tomar decisões ou para fazer o que for necessário. Também é a demonstração de que nem sempre visar os próprios interesses deve ser encarado como egoismo. Veja bem, Katniss, nunca almejou a revolução, ela nunca quis ir a luta, ela nunca quis ser “O Tordo”, ela apenas se voluntariou para os Jogos para salvar a irmã, e destemidamente ela encarou com peito todo o ônus de sua decisão, não fugindo a luta.

Katniss Jogos Vorazes

O Texto à seguir pode conter alguns Spoilers. (leia por sua conta e risco, caso não queira ler, pule para o fim do texto! Não se preocupe, vai estar bem sinalizado!)

A conclusão de Jogos Vorazes, se inicia exatamente no ponto em que o outro longa terminou. Katniss estava sendo esganada por Peeta, que sofreu lavagem cerebral em sua estadia forçada na capital. A agressão sofrida pela heroína parece ser tão grave quanto a tortura que Peeta sofreu, afinal o garoto segue por boa parte do filme com uma série de traumas, chegando a ser um peso para a equipe.

Diferentemente, do anterior, “A Esperança – O Final” é um filme com vários momentos de tensão, mais tensão até mesmo que “Em Chamas” (na minha opinião o melhor filme da franquia). A Capital, então sitiada pelos rebeldes dos 13 distritos é transformada em uma grande arena, o que ao meu ver é fantástico. Também somos apresentados aos  Bestantes. Não sei nos livros em qual ponto nos eles foram apresentados,  e na verdade até o momento não entendi muito bem qual é o conceito, ou o que eles são de fato, só sei que ao ser apresentado a eles eu pensei “Que P*%$$@ é essa?”, e depois me encolhi todo na poltrona do cinema.

Depois de muitas baixas, Katniss começa a questionar se tomou o caminho certo e pensa em talvez desistir. Mas Peeta a lembra de todas as  mortes, e que elas não deveriam ser em vão. Aliás, de todas as mortes, não foi a morte de Primrose Everdeen que mais me chateou e abalou, mas sim a de Finnick Odair. De alguma forma, o personagem dele me cativou muito mais que qualquer outro da saga.

Alma Coin, é um outro grande problema, que poderia ter sido muito bem usado, mas não foi. Desde o princípio sabíamos que suas intenções nunca foram as melhores, e que ela era uma mulher fria, calculista e dissimulada. Julianne Moore com toda certeza é uma excelente atriz, mas ainda acho que a Presidente Coin foi muito mal aproveitada.

O Destinos dos personagens no final também não me agradaram muito, com exceção do final de Gale. Na minha opinião ele se transformou muito ao longo dos filmes, ficando frio. Nunca fui muito fã dele, e honestamente , bati palmas quanto Katniss diz “Adeus Gale” logo após descobrir que ele é culpado por explodir a bomba que acabou matando Prim, numa armadilha chamada “Beija-Flor”.

Katniss e Peeta? Hmmm …. Preferiria que ela tivesse ficado sozinha, o casal não me convence muito, mas rapazes prestem atenção, você pode até ser o Liam Hemsworth, fortão e destemido, mas são dos caras sensíveis e que fazem pão é que elas mais gostam. A Katniss dona de casa, mãe de dois filhos também não me convenceu. (Muito forçado sabe).

FIM DOS SPOILERS

jogosvorazesfinal_Katniss

Jennifer Lawrence, continua carismática como sempre, o que segura bastante o filme com sua atuação. Efeitos de som e imagem não fogem do padrão de um blockbuster, mas fica um destaque merecido para a equipe de efeitos especiais. O Ator Philip Seymour Hoffman faleceu ainda quando gravava “Jogos Vorazes: A Esperança – Parte 1”, e interpretava Plutarch Heavensbee, um dos idealizadores dos jogos. Para “A Esperança – O Final” ele foi inserido digitalmente, de forma IMPECÁVEL ao meu leigo ver.

A conclusão de toda uma saga épica, para mim não foi tão épica assim. Jogos Vorazes: A Esperança – O Final, foge de vários clichês, mas não é tão estrondoso quanto poderia ser, mesmo assim vale cada centavo que você vai pagar pelo ingresso. Francis Lawrence continua na direção, tendo já conduzido a franquia desde Jogos Vorazes: Em Chamas. O elenco principal conta com Liam Hemsworth (Os Mercenários 2), Josh Hutcherson(Ponte para Terabítia) e Natalie Dormer (que interpreta Margaery Tyrell em Game of Thrones),Julianne Moore, Woody Harrelson e Donald Sutherland.

Não perca tempo, o filme estreou ontem, dia 18 de Novembro , e já está nas melhores salas de cinema do país.

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