Precisamos falar sobre Clássicos – Bonequinha de Luxo

Em um momento tão importante no cenário atual sobre questões do Feminismo e o emponderamento feminino, demorei para escrever sobre um filme importante, cujo a protagonista foi uma ”Mulherão da Porra”. Sim! Uma verdadeira estrela e diva dos anos 50 e 60, Audrey Hepburn foi considerada a terceira maior lenda feminina do cinema, atrás apenas de Katharine Hepburn e Bette Davis. E é sobre ela e um dos filmes mais conhecidos de sua carreira, que o Precisamos falar sobre Clássicos vai comentar hoje.

Apesar de ter uma grande personalidade feminina como protagonista do filme, o longa em si não aborda necessariamente o feminismo. A história baseia-se na vida de Holly Golightly que ganha a vida com prostituição. Isso mesmo, estamos falando nada mais nada menos do que o clássico de 1961, Bonequinha de Luxo (Título original: Breakfast at Tiffany’s).

Holly Golightly é uma garota de programa que está decidida a casar-se com um milionário. Perdida entre a inocência, ambição e futilidade, ela toma seus cafés da manhã em frente à famosa joalheria Tiffany, na intenção de fugir dos problemas. Seus planos mudam quando conhece Paul Varjak, um jovem escritor bancado pela amante, que se torna seu vizinho e com quem se envolve. Apesar do interesse em Paul, Holly reluta em se entregar a um amor que contraria seus objetivos de tornar-se rica.

Estava em casa em um sábado de madrugada quando assisti à Bonequinha de Luxo pela primeira vez, me lembro bem. O silêncio da noite, para mim, é o melhor horário para assistir qualquer tipo de filme que necessita de uma atenção especial. De primeira vista, fiquei na dúvida de que o longa se tratava de uma prostituta de luxo, pelo simples fato de que (me atrevo a dizer) existem muitas mulheres, principalmente naquela época, que buscavam riqueza como meio principal de vida, sempre a procura de dinheiro e maridos ricos, glamour, e não em busca de amor.

bonequinha luxo

O longa que baseia-se na história do livro homônimo de Truman Capote, soube mostrar com delicadeza a vida de Holly, e talvez por ter sido interpretado por Audrey, o telespectador fica na dúvida de que ela é uma acompanhante de luxo. Na verdade, a atuação de Audrey é o melhor do filme, já que ela criou uma personagem extremamente doce, carismática, ingênua, sonhadora, confusa e engraçada. Entretanto, é um filme recheado de clichês, mas que no fundo todos nós adoramos. A beleza está na maneira de como ele é contado, na ótima atuação dos atores, uma linda trilha sonora e fotografia.

Também possui várias cenas engraçadas, e em uma delas Holly ensina seu vizinho Paul, a roubar uma loja, e o jeito como eles disfarçam perto das outras pessoas é hilário. Isso além das cenas que se tornaram clássicas no cinema, como a que Holly procura o seu gato na chuva e a linda cena em que ela canta a música “Moon River” de Frank Sinatra. Assista ao vídeo abaixo:

Mesmo que Audrey foi a escolhida para eternizar esta obra cinematográfica, alguns biógrafos dizem que Capote queria Marilyn Monroe para o papel e que, a princípio, odiou quando o estúdio optou por Hepburn. Dizem que o autor acompanhou as gravações do filme e, sempre que podia, fazia uma crítica à atriz. Mas com o sucesso de bilheteria que o longa obteve, e ainda com telespectadores fiéis até nos dias atuais, duvido que o autor tenha se arrependido do resultado final.

Apesar do enredo ser entorno de um dilema entre o amor que Holly começa a sentir por seu vizinho pobre ou continuar com sua vida infeliz, porém, luxuosa, um filme clássico como este e com extrema importância para a indústria cinematográfica, sempre tem algo para nos ensinar. Mesmo que seja por curiosidade, mesmo que você goste desses romances estereotipados, Bonequinha de Luxo é uma obra inesquecível. E que coloca em questão uma pauta importante: o que de fato traz felicidade, o amor ou o material?

Para quem se interessar, o filme encontra-se no catálogo da Netflix, e a equipe do A Hora do Filme recomenda.

Confira o trailer abaixo e até o próximo Precisamos falar sobre Clássicos!

Thais Muniz Author

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